9 de mai de 2009

180 anos da Imigração Alemã no Paraná


A colônia alemã no Paraná festeja hoje (19/02) 180 anos de imigração. As comemorações na capital e em outras cidades do estado começam agora e prosseguem até dezembro. Em vários locais os descendentes e toda a população vão poder participar de festas e eventos para relembrar costumes e reunir as famílias.

Embora representem apenas 10% de todos os imigrantes que povoaram o estado, os alemães deixaram para os paranaenses fortes traços culturais que são vividos por muitas famílias até hoje. O ex-presidente do Clube Concórdia Hans Klaus Garber é descendente de uma das primeiras famílias de imigrantes que chegaram a Rio Negro, berço da imigração alemã no estado. Seu pai veio da cidade de Hamburgo, na Alemanha, para aproveitar as oportunidades de trabalho. Casou-se com uma alemã e construiu família. Garber, hoje com 85 anos, estudou em escola alemã na cidade e lá aprendeu a língua.

Assim como muitos outros descendentes, para ele a comida é a parte da cultura alemã que mais está incorporada à cultura de quem nasceu e cresceu no estado. “Gosto de todas as comidas típicas. Como sempre que tenho oportunidade”, diz Garber. Ele e 15 amigos, todos descentes de alemães, se reúnem toda quarta-feira para comer comida típica. Assim como viajou pelo Brasil inteiro, ele conta que foi várias vezes à Alemanha para conhecer muitas cidades e a cultura local, pela qual sempre se interessou.


Erva-mate

Quando chegaram ao estado, o principal objetivo dos imigrantes era trabalhar com o cultivo e comércio da erva-mate. De acordo com a jornalista Zélia Maria Nascimento Sell, pesquisadora do Instituto de História e Geografia do Paraná, os alemães chegaram praticamente na mesma época ao Paraná e a Santa Catarina e muitos deles foram para esses locais e lá constituíram família. Além da culinária, a arquitetura e a religião se fincaram no estado e foram transmitidas de uma geração à outra. “Aqui em Curitiba é bem comum comermos a broa e outros pães que são de origem alemã. Em geral, os doces secos, como o strudel, são de lá. A famosa vina [salsicha], que o curitibano conhece tão bem, é originária da palavra wienerwurst, o salsichão alemão”, comenta.

Segundo a pesquisadora, as ruas 13 de Maio, Paula Gomes e Mateus Leme eram conhecidas como a Rua dos Alemães, pois concentrava na região um grande número de imigrantes. “Hoje o Jardim Schaffer (região do bairro da Vista Alegre) ainda tem um grande número de descendentes. Podemos perceber alguns detalhes na arquitetura das casas”, diz Zélia.

Disciplina

O diretor do Hospital da Cruz Vermelha em Curitiba, Lauro Grein Filho, 87 anos, que também é descendente dos primeiros imigrantes, conta que do sangue alemão herdou a disciplina, e foi ela que transmitiu para suas cinco filhas. Alguns hábitos alimentares também foram passados para outras gerações, mas a língua se perdeu com seu pai, que foi o último da família a falar alemão.
Grein e Garder vão participar da solenidade promovida na Assembleia. “A cultura alemã faz parte da nossa tradição, da nossa história e do nosso afeto. Morei em Rio Negro quando criança, cresci em meio aos costumes germânicos”, conta Grein.

Festas

O deputado estadual Elio Lino Rusch, responsável por sugerir e organizar a homenagem, diz que até o fim do ano os municípios de Rio Negro (Sul), Guarapuava (Centro), Marechal Cândido Rondon (Oeste), Palmeira – onde está localizada a Colônia Witmarsum – (Campos Gerais), Missal (Oeste), Rolândia (Norte) e Curitiba terão apresentações de dança e festas típicas. Uma delas é a já tradicional Festa da Cevada, que vem sendo promovida há mais de 20 anos em Guarapuava.

FONTE (texto): Gazeta do Povo, por Anna Simas em 19/02/2009.